domingo, 17 de janeiro de 2010

As viagens que ainda não fiz - 1




(O meu blog, virou uma escrevaninha chinesa...este post vai directo para a 5ª gaveta da 3ª fila de baixo)

Não houve cafézinho tão saboroso como aquele...olhei para os meus 3 novos companheiros de viagem...e embora nunca os tendo visto, era uma coincidência terrível...todos ele apresentarem aquelas bogas nos seus olhos.

Ainda bem que tinha vindo de véspera, principalmente pelos petiscos que tinha comido em Reguengos no jantar anterior, quase como se da última ceia se tratasse.

Não foi fácil dar com o caminho que o piloto Verdelho, me tinha enviado por mail, numa replica dos caminhos florestais que tinha retirado do Google Maps, mas o que interessava é que tinha chegado ao ponto de encontro. "Coitados" - pensei eu, devem ter penado bastante para chegar aqui a esta hora, uma vez que pela conversa de circunstãncia entretanto estabelecida, todos me diziam que tinham vindo directo.

"Meus companheiros, estamos prontos ?" - Questionava o nosso piloto Verdelho, uma figura peculiar, cheia de auto-confiança, que na maturidade dos seus 50 e poucos anos, transmitia-nos uma segurança incrível. Óculos Escuros e barba grisalha, davam-lhe o toque final.

"Vamos a isso..." - respondemos os 4 em unissono, sabendo claramente o que fazer. A mim cabia-me largar o lastro, ao Júlio...continuar a dar gaz até ordem em contrário do grande mestre, a Teresa ia acomodando todos os apetrechos na cesta de transporte, enquanto a Mónica examinava rigorosamente as amarras.

Estávamos prontos, tínhamos entregue as chaves dos nossos carros á equipa de apoio, que nos esperariam em Beja dentro de 4 a 5 horas.

"Piloto....isto é que foi...obrigar-nos a estar aqui às 5 da manhã....é praxe?" - perguntei-lhe eu....para desanuviar o ambiente de alguma excitação misturada com o medo que se aproximava.
"Nada disso, meu amigo!...temos é de aproveitar o vento dos passarinhos!" - respondia o piloto Verdelho, gerando desta forma uma risada geral de alivio.

Estava na hora....toda a equipa subiu a bordo, o piloto comandava agora a torneira do gas, e dizia-nps "Ao meu sinal, cada um de vós, com as vossas facas cortam as amarras...". Cada segundo de espera, parecia uma eternidade....o barulho do gas a inalar o balão gigantesco sob as nossas cabeças...era arrepiante, bem como o calor que a torneira debitava....mas eis que chega a ordem "Força! cortem agora...".

Que sensação incrível...que amanhecer inesquecivel...o diário de bordo ditava 6:45 hora de partida...o friozinho na barriga de quem se eleva num céu explenderoso...quase como que sugados por uma força sobrenatural....provocaram-me uma emoção extraordinária....os pardalitos brindaram-nos com um chilreio de bons dias...e aquela luz...de um sol que rasgava o céu escuro...a custo...num fogo de amarelo-alaranjado ficará para sempre guardado, como uma das fotografias visuais mais belas por mim registadas.

Voar....planar...como seres infinitamente pequenos...como insectos insignificantes...numa imensidão incontrolável...ao som da música Learn to fly dos Pink Floyd, é algo de incrivelmente belo!!

Como fui feliz, nesta viagem que ainda não fiz...

1 comentário:

  1. Lindo ensaio literário, tem todo o toque de uma realidade vivida.
    Abracinho

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