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domingo, 31 de janeiro de 2010

Triologia - Prazer



No dia seguinte e tal como combinado, lá fui eu a caminho do restaurante...Fiquei surpreso, pois encontrei-a à porta....

- "Aconteceu alguma coisa ?" - perguntei-lhe.
- "Nada disso....vamos é a outro sitio...pode ser ?" - retorquiu ela.

Caminhámos três quarteirões abaixo. Não sabia que existiria ali, qualquer restaurante ou café. E de facto não existia....parámos junto a uma porta de um prédio....olhei para ela...mas na altura estava absorta na busca de algo na sua mala. Fez 3 tentativas...e finalmente conseguiu acertar com a chave correcta.

É evidente que por esta altura o meu imaginário...já vagueava....e o seu sorriso malicioso foi a comprovação.

Ao entrarmos no elevador...fez-se um silêncio sepulcral....ela fez novamente aquele sorriso...aproximei-me....e de forma vagarosa...tacteante....beijámo-nos ardentemnete.  Uma onda de calor invadiu-nos...o desejo era agora ardente e nossas mãos entrelaçavam-se....

Não sei qual o andar onde parámos, mas a abertura de portas do elevador...abria-nos também a decisão de continuar....

Depois de mais uma indecisão na chave correcta, entrámos finalmente...tendo ela agora sentido necessidade de me dar uma explicação: "É a casa de uma amiga minha....uma irmã para mim...".

Para além da excitação...um turbilhão de ideias assolou-me nessa altura....mil perguntas que sabia que não iria fazer....mas que tinha curiosidade nas respostas.  O Hall era pequeno, mas acolhedor...indicou-me a sala e disse para esperar 2 minutos. Era uma sala bonita, num estilo misto entre o moderno e o clássico...umas molduras ...revelavam figuras que nada me diziam...mas onde ela também não aparecia. Alguns  promenores indicavam claramente ser o apartamento de uma mulher de estilo moderno...e solteira!

Lembrava-me agora....que este marinheiro não se tinha "aviado em terra"....como poderia eu advinhar??

Tal como prometera, foi rápida no regresso....e disse-me que tinha ido telefonar à amiga a dizer que estava em casa dela...sorriu...e sentou-se no meu colo....

Pela primeira vez....sentia seu corpo no meu...fitámo-nos num olhar profundo...de forma calma...sentimos nossos lábios a aproximarem-se como se de imans se tratassem...nossas linguas não se quedaram e exploraram-se em territórios para elas desconhecidas...ardente...percussor de tantos outros beijos.

Beijei-lhe o pescoço (adoro...confesso)...o misto de aromas do cabelo e do seu perfume ....inundaram os meus sentidos...o desejo era absolutamente incrivel. As mãos percorriam cada um dos corpos...como se de um reconhecimento se tratasse...afaguei-lhe vezes sem conta seu lindos cabelos...segurei com candura seu rosto após cada beijo...ousei então percorrer seu corpo. Afaguei seus seios...respondeu-me com entrega...

A loucura do desejo tomou-nos por completo...num descontrolo ...controlado....nossos corpos entretanto desnudados com mil cuidados...tocavam-se...suplicando por se tornarem num só.

Como gosto de dar prazer...como gosto de sentir o extase que provoco...essa é a minha forma de entrega...primeiro dar e depois receber. Como gosto dos preliminares que tardam em acabar....hà quem cavalgue com a pressa de chegar....prefiro o prazer da viagem até ao ponto final...que como o nome indica é temporariamente um terminus.

Após tanta excitação...comprovada por tantos sinais abundantes e numa pré-disposição absoluta....ela pede-me:
- "Venda-me...alimenta-te de mim....confio em ti..."

Isto sim, era completa novidade para mim....vendá-la...mas com o quê...? ...Usei um lenço, que por ali encontrei....e subitamente senti uma excitação ainda maior. Uma sensação de controlo total...? Comando isolado das operações??

Decidi então...sussurrar-lhe ao ouvido, informar cada  passo seguinte meu....excitando-a por antecipação....levava a imaginação ao rubro...e depois executava. Senti...que isto lhe provocava um desejo ainda maior...um prazer infinito....e da ternura e carinho...ao vigor e impetuosidade...do convencional ao não convencional...percorremos o camasutra...num desaguar de fluidos e gemidos sem fim.

Dois corpos exaustos...uma fome saciada em cada pedaço....revelaram uma fantasia realizada....por dois estranhos que naquele momento entregaram-se por completo!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Triologia - Sedução



Qual estudante em cantina apinhada, andava eu de cabeça no ar e de tabuleiro na mão, procurando um misero lugar para me sentar. Eis senão quando, uma voz doce...me sussurra: "Temos ali uma mesa...".

Virei-me, e eis que me deparo com a minha musa inspiradora de almoços mais felizes! Tinha sido recorrente nas semanas anteriores,  cruzar-mo-nos em restaurantes próximos, ao ponto de estabelecermos uma relação cordata de cumprimentos  à distância. Sorrisos de circunstância, permitia-nos manter um contacto, e  aperceber-me da sua disposição nesses dias.Mas de facto, esta era a primeira vez, que estariamos tão próximos, e de forma controlada respondi:

- "Se não se importar de partilhar a mesa...?"
-  "Ora, já somos velhos conhecidos...." - esta tirada irónica, claramente quebrou o gelo.

O almoço foi diferente do que alguma vez eu o imaginara...o tema de conversa centrou-se na peculiaridade deste tipo de encontros entre estranhos e como se estabelecem conexões, por vezes mais fortes que as grandes amizades. Referenciámos o paralelismo das relações que se estabelecem via net, falámos sobre comportamentos, motivos de felicidade...etc...curiosamente nunca abordámos informações pessoais, identidades, estados civis...Nada!...absolutamente nada fora deste contexto!.

Sua voz era suave, pausada....evidenciado uma ponderação, que me tranquilizava, não que eu não seja da mesma forma, mas temia que algum nervosismo parvo...me pudesse trair. Nunca tive jeito nenhum para a arte do galanteio, e a maturidade ensinou-me que nada melhor que uma abordagem genuina e sincera. Acho que ela gostou...as tiradas humoristicas...foram nos timmings correctos...no fundo ....acho que estive à altura da ocasião.

Ela era deslumbrante....não excessivamente bonita, mas muito charmosa...inteligente...astuta...e acima de tudo uma capacidade de transmitir uma sensualidade...que nunca até então...tinha presenciado. Os detalhes eram cuidados, o perfume escolhido adequadamente, a roupa insinuante...mas discreta. Atraiu-me completamente!

Hà gestos que fixo sempre...o toque no cabelo, o olhar, a forma de sorrir...a dicção, a postura, a educação, o cruzar de pernas...valem muito mais que um corpo bem feito....garanto-vos!

À saida...pediu-me para lhe fazer companhia no cigarro que o vicio assim a obrigava...ao qual concordei...ficando de forma discreta a observar...o encanto da forma como pousava o cigarro em seus lábios...como foi dificil ser discreto...na forma como a observava...acho que é mais forte que nós...este vicio de "desnudar as mulheres"....imaginei a lingerie...imaginei o gozo da descoberta das imperfeições que teriam de existir (detesto perfeições...)...e assim me quedei a seu lado...numa despedida que tardava em sair...

Incrivel !....nem os  nossos nome trocámos....

De forma casual....almoçamos mais uma vez....e nada mudou...a não ser a relação de cumplicidade que se estabeleceu entre dois estranhos...baseada em retórica superficial...mas que inexplicavelmente...conseguia transparecer o interior de cada um...havia ligação....estávamos seduzidos!!

Nesta 2ª despedida pediu-me:

- "Por favor, almoça comigo amanhã..."
- "Tentarei..." - respondi

domingo, 24 de janeiro de 2010

Triologia - Encanto


( Podem falar-me de inúmeras obras primas naturais ou realizadas pelo Homem...mas confesso que sou um eterno apaixonado pelo ser maravilhoso que é a MULHER!
Não foi apenas por uma questão de educação, onde o respeito pelas mulheres sempre foi uma máxima, nem tão pouco a relação espantosa que tenho com as minhas irmãs....creio que é algo inacto da minha parte...admiro a mulher de forma intensa! )


Mais um almoço semanal igual a tantos outros, e mais um em que aquele convivio forçado com os colegas de trabalho se impõe...reconheço às vezes a paciência não é muita...tantas vezes me abstraio...tantas vezes dou por mim a observar o infinito, depositando o olhar em coisa nenhuma...ou pior ainda...observando os parceiros das mesas contiguas...

Num primeiro varrimento, .nem dei por isso, foi precisa uma segunda volta pela sala....para me aperceber dela! Mesmo de foma inconsciente, não consegui desviar o olhar....as vozes da minha mesa...estavam agora distantes, tentando focar-me o mais possivel na imagem que estava perante os meus olhos. Não sei verdadeiramente o que me fez prender a atenção, ou talvez saiba, o sorriso....aquele lindo sorriso....que delineava uma boca perfeita...num rosto de linhas perfeitas!

Era uma beleza igual a tantas outras....mas ali havia algo...uma magia que apenas o charme natural pode dar. O que é isso de charme ? ...sempre me interroguei, pois não sendo palpavel...é de longe a caracteristica que mais me fascina...É incrivel o encanto de uma mulher madura, que sabe expor a sua feminilidade, através da elegância...da candura dos seus gestos, da forma meticulosa como usa a sua sensualidade...mas sem arrojar, sem ultrapassar o limite.

Ela era tudo isso!!...arrisquei que teria 42...máximo 44....e na tentativa de não me tornar inconviniente...desviei o olhar....mas invariavelmente...e quase por magnetismo...os meus olhos telecomandados lá se fixavam novamente. Roguei que me olhasse...apenas para lhe fotografar seu olhar...é algo que me continua a atrair enormemente...os olhos o espelho da alma. Mas nesse almoço, tal não aconteceu...ficou apenas a linda imagem de uma mulher charmosa...fascinante. Reconheço que não desviei o olhar, quando ela se levantou....observei-a...um corpo bonito...próprio de quem a idade moldou...mas notava-se o cuidado na sua preservação...atraiu-me...sem dúvida...e aquele ajeitar delicado dos seus cabelos castanhos...foram a prova provada de que uma mulher especial se tratava!

Duas semanas, volveram-se, e eis que num restaurante próximo ao anterior....ela entra novamente....mas desta feita sozinha...centrada em si própria. Olhei de soslaio para toda a sala, e como de um adolescente me tratasse...ansiei que ela se sentasse na única mesa livre ...que se encontrava a meu lado. Como estava elegante, como era possivel....que embora naquele dia trajasse de forma informal...continuasse com  o mesmo charme...a mesma elegãncia...Um colete castanho de pele, sobre uma camisa impecavelmente branca, com calças de ganga e botas castanhas...emprestavam-lhe aquele aspecto country...de que apenas as afortunadas podem se orgulhar de lhe ficar bem... Nesse dia, felizmente estava só...olhando mais uma vez para um horizonte na forma de televisão...escutava as noticias que nada de novo traziam...e apostava...onde se sentaria ela. Alguém me solicitou..."posso me sentar...?"...anui prontamente, mas para meu azar era uma senhora simpática....mas não de colete....

Sentou-se três mesas atrás...o que me impedia qualquer contacto visual ...ao que pensei: "Talvez seja melhor assim....escuso de fazer figuras..."...Quando me preparava para sair....fui tocado  inadvertidamente no ombro...olhei ...e para meu espanto era ela...solicitando mil perdões. Trocámos um olhar...que senti não ser um mero olhar.....foi prolongado....ao ponto de me permitir analisar o esverdeado de seus olhos castanhos...observar as sobrançalhas imaculadamente arranjadas...umas pequenas rugas de expressão em seus olhos...que lhe conferiam ...uma beleza adicional.

Confesso o coração bateu....