Virei-me, e eis que me deparo com a minha musa inspiradora de almoços mais felizes! Tinha sido recorrente nas semanas anteriores, cruzar-mo-nos em restaurantes próximos, ao ponto de estabelecermos uma relação cordata de cumprimentos à distância. Sorrisos de circunstância, permitia-nos manter um contacto, e aperceber-me da sua disposição nesses dias.Mas de facto, esta era a primeira vez, que estariamos tão próximos, e de forma controlada respondi:
- "Se não se importar de partilhar a mesa...?"
- "Ora, já somos velhos conhecidos...." - esta tirada irónica, claramente quebrou o gelo.
O almoço foi diferente do que alguma vez eu o imaginara...o tema de conversa centrou-se na peculiaridade deste tipo de encontros entre estranhos e como se estabelecem conexões, por vezes mais fortes que as grandes amizades. Referenciámos o paralelismo das relações que se estabelecem via net, falámos sobre comportamentos, motivos de felicidade...etc...curiosamente nunca abordámos informações pessoais, identidades, estados civis...Nada!...absolutamente nada fora deste contexto!.
Sua voz era suave, pausada....evidenciado uma ponderação, que me tranquilizava, não que eu não seja da mesma forma, mas temia que algum nervosismo parvo...me pudesse trair. Nunca tive jeito nenhum para a arte do galanteio, e a maturidade ensinou-me que nada melhor que uma abordagem genuina e sincera. Acho que ela gostou...as tiradas humoristicas...foram nos timmings correctos...no fundo ....acho que estive à altura da ocasião.
Ela era deslumbrante....não excessivamente bonita, mas muito charmosa...inteligente...astuta...e acima de tudo uma capacidade de transmitir uma sensualidade...que nunca até então...tinha presenciado. Os detalhes eram cuidados, o perfume escolhido adequadamente, a roupa insinuante...mas discreta. Atraiu-me completamente!
Hà gestos que fixo sempre...o toque no cabelo, o olhar, a forma de sorrir...a dicção, a postura, a educação, o cruzar de pernas...valem muito mais que um corpo bem feito....garanto-vos!
À saida...pediu-me para lhe fazer companhia no cigarro que o vicio assim a obrigava...ao qual concordei...ficando de forma discreta a observar...o encanto da forma como pousava o cigarro em seus lábios...como foi dificil ser discreto...na forma como a observava...acho que é mais forte que nós...este vicio de "desnudar as mulheres"....imaginei a lingerie...imaginei o gozo da descoberta das imperfeições que teriam de existir (detesto perfeições...)...e assim me quedei a seu lado...numa despedida que tardava em sair...
Incrivel !....nem os nossos nome trocámos....
De forma casual....almoçamos mais uma vez....e nada mudou...a não ser a relação de cumplicidade que se estabeleceu entre dois estranhos...baseada em retórica superficial...mas que inexplicavelmente...conseguia transparecer o interior de cada um...havia ligação....estávamos seduzidos!!
Nesta 2ª despedida pediu-me:
- "Por favor, almoça comigo amanhã..."
- "Tentarei..." - respondi

Quem passou a "sofrer" de cepticismo fui eu.
ResponderEliminarTem "palpitações" e descreve situações próprias de um garoto de 20 anos, mas pelo meio "mete" conhecimentos de alguém que está num Outono da vida bastante avançado... Incongruências!
Abracinho
Querida Teresa: ahaha...gostei do comentário!
ResponderEliminarTodos temos o nosso Q de incongruente...
Beijinhos
Que vontade que as manhãs corram rápido, não? :)
ResponderEliminarO acaso tem destas coisas, bonitas!
Nirvana: Desde já o meu obrigado pela sua visita!
ResponderEliminarÉ de facto uma história na 1ª pessoa, de um passado recente. Como diz a minha querida amiga Maria Teresa, gerou "palpitações juvenis"...ehehe.
O 3º post desta triologia (pomposo...eheh), está guardado na gaveta...mas não sei se terá "honras" de publicação!
Muito obrigado mais uma vez!
Hmmm...adoro essas estórias!
ResponderEliminarTeremos romance no ar?!?
Querida Silvia:
ResponderEliminarDiria que foi algo muito bonito.
Beijinhos