domingo, 4 de abril de 2010

Os Sentidos - o olfacto



Um calor abrasador, daqueles dias em que todos os sentidos estão estimulados e exarcebados. Estava sequioso...qualquer coisa fresca servia. Vislumbrei um café - a minha salvação.

Esolhi uma mesa na orla da esplanada, encostada a uma parede caiada...reflectindo um branco imaculadamente ofuscante. O empregado aproxima-se e pergunta-me:
- "O que deseja ?"
- "Àgua das pedras...bem fresca...por favor"

Num vicio de miúdo, recosto-me para trás...encosto a cabeça na parede escaldante...um calor percorre-me toda a coluna...vertebra a vertebra ....como se de pequenos choques eletricos se tratassem...mas era uma sensação respousante....quase embriagante. O equilibrio era instavel.,,,,suportando a cadeira todo o meu peso apenas nas suas pernas traseiras...conseguindo eu realizar o contrapeso, esticando as minhas pernas e tocando o chão com os bicos dos meus pés.

Que calor!

Fechei os olhos...inspirei profundamente...o ar era tórrido...parecia queimar as minhas narinas..... Estranha sensação...parecia que meu cerebro recordara-se de aromas quentes ...esquecidos...profundamente esquecidos...nos seus reconditos compartimentos de memória,

Inalei novamente....esforçando-me agora por destinguir na palete de odores qual o cheiro que me despertara.. concentrei todos os meus poderes no meu sentido olfactivo...cerrei os olhos o mais que pude...foquei-me...e como num levitação...viajei....

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Sentia o calor na cara...salpicos de raios solares...picavam as minhas faces...sensação estranha! Sentia-me agora mais leve...sim, mais leve...leveza também de espirito....espirito que passara a inocente...que passara a um estado de pura ingenuinidade.

Abri os olhos...embora no mesmo equilibrio instavél, esta cadeira tinha braços diferentes...e não conseguia chegar com os pés ao chão....uma pala de um boné azul....fornecia-me uma pequena sombra a uma testa pequena,...por onde passava agora a minha mão...

Agora de olhos bem abertos...via um céu azul....de um azul...que sabia agora que muitas vezes se tranformava em cinzento dos mais escuros que possa existir...mas aquele era azul...pintado a pastel...rodei lentamente a cabeça para a direita...e vi-te!! Hà tanto tempo que não te via...por onde tens andado?? porque não tens aparecido??....que saudades desse sorriso doce...desses olhos castanhos meigos...de uma sabedoria sem igual...e numa voz que não consigo perceber...saiu-me de uma forma aguda:
- "Vô...onde estarei...quando fôr crescido?"
- "Provavelmente sentado numa cadeira...."

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- "Está aqui a sua àgua...."

e abrindo os olhos agradeci ao empregado!

8 comentários:

  1. É óptimo termos por vezes esses sentido eu já os tive mas foi com a minha vó....

    São as saudades e as excelentes recordações que no fazem olhar para o céu azul..muito azul...!!!

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  2. Nem todos os idosos passam o tempo sentados numa cadeira :):):)

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  3. Muito bem. Adorei o texto. Muito bom mesmo!

    :) :)

    Beijinho* querido TouroCeptico*

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  4. Querida Canhota,

    Como é bom homenagear quem gostamos!

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  5. Querida Maria Teresa,

    Muito obrigado pelo seu comentário...mas viajam muitos mais eles na cadeira...que qualquer jovem!! :)))

    Beijinhos

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  6. Querida Invisivel,

    Será misticismo ?? :))

    Beijinhos enormes para ti!

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  7. Belo texto! Daqueles capazes de me fazer fechar os olhos e viajar no tempo, até à altura em que dizia "Vô João..." e ouvir a sua voz.
    Obrigada!
    Beijinhos

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  8. Querida Nirvana,

    Fico feliz, por ter passado a mensagem...

    Obrigado!

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